Por ocasião da celebração dos 30 anos de fundação do Pontifício Conselho para a Família e da publicação da Exortação Apostólica “Familiaris Consortio”, do beato João Paulo II, seu sucessor, Bento XVI recebeu em audiência os participantes da XX Assembleia Plenária (29/11 pp.). O fulcro de suas exortações é resgatar a família cristã, igreja doméstica, como parte essencial para uma nova evangelização.
A Família que é evangelizada torna-se evangelizadora. A sociedade moderna enfrenta um “eclipse” de Deus, provocado propositalmente pela propagação de ideologias contrárias à instituição familiar. De forma aviltante, novas formas de comportamento contrariam frontalmente à ética e à moral cristã. De fato, cristãos que querem manter-se fiéis ao Evangelho de Jesus enfrentam uma propaganda de descrédito ante a instituição familiar, passando por uma crise de valores éticos e morais. A credibilidade da instituição familiar deve ser recuperada com vigor, tendo em vista, com isso, a restauração de todo o tecido social.
A Família sempre foi o caminho da humanidade e da Igreja. É necessário oferecer um novo crédito à Família fundamentada no matrimônio, segundo a lei natural e divina. A Família constitui-se comunidade de salvação. Na medida em que a Família é evangelizada, torna-se evangelizadora, formando pessoas, educando-as na fé, facilitando a promoção do desenvolvimento integral na sociedade. A Família é o instrumento indispensável para orientar a comunidade e a sociedade, tal que alcancem verdadeiros destinos de fraternidade solidária. A Família é esteio e estímulo para o trabalho e para todas as relações sociais, incluindo o compromisso civil na atenção aos necessitados e participação nas atividades eclesiais. A partir da consciência sobre a grandeza do matrimônio, a acolhida e a transmissão do amor divino são realizadas no compromisso mútuo dos esposos, na geração generosa e corresponsável dos filhos e de sua educação.
Há áreas nas quais o protagonismo das famílias cristãs deve oferecer seus préstimos e colaboração com os sacerdotes e com formadores de opinião, como a orientação da juventude, a preparação dos noivos para o casamento, a assistência aos casais em crise conjugal e familiar, e em tantas outras esferas, como a prevenção ao vício de drogas e uso da violência.
As exortações de Bento XVI pelo revigoramento da Família sirvam-nos de lição preparatória para o santo Natal de Nosso Senhor. A atitude mais importante é a própria abertura ao dom da vida e ao cultivo da união na Família! É essa a herança que recebemos de Deus como missão. Nós, pais e formadores, corresponsáveis pela educação das crianças, adolescentes e jovens, levemos a sério o dom do seu infinito amor do Senhor, pois a Família é o espaço humanitário do encontro com Cristo e lugar do encontro de Cristo com cada um de nós.





