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Flanelinhas e informantes?

20 de janeiro de 2012

Fato 1: dia de Natal, Missa matutina na Catedral. Minutos antes chegam pessoas idosas, assíduas frequentadoras das funções litúrgicas. Nas mediações do templo são assaltadas. Eu passei pelo adro do São Francisco e ainda vi dois rapazes brigando pelos despojos. Fato 2: Centro Histórico, adro do São Francisco. Chegam os turistas. São assaltados também. Alguém avisa comparsas a hora para dar o bote. Fato 3: o motorista procura uma vaga para estacionar. Há dificuldades. Flanelinhas disputam espaços. Cobram para pastorar e insistem para lavar (ou lambuzar) o carro vigiado. Se você recusar estará candidatando-se a sofrer danos. Por aí a vida corre com a sensação de insegurança. Sabemos que é impraticável pretender que policiais estejam presentes em todos os espaços da cidade, nas 24 horas da jornada. Perguntas: qual é a ligação entre os fatos? Qual é a imagem do povo da Paraíba que se fixa na mente dos turistas assaltados? De onde surgem assaltantes nessas ocasiões? Quem é o informante?

A mídia televisiva tem retratado fatos desse gênero demonstrando que junto aos semáforos há quem esteja disfarçado de limpadores de para-brisa ou vendedores de alguma coisa, mas são “marcadores” de carros. Eles percebem alguns motoristas (geralmente mulheres) descontraídos, facilmente abordáveis em alguma outra parada no trânsito caótico. O carro fica marcado por algum chiclete ou pedaço de papel grudado. A facilidade com que hoje utiliza-se um celular dá para entender como é banal para bandidos agirem. A informação da bandidagem não é mistério. “Saidinhas” de banco, por exemplo. Nosso sentimento é de impotência.

Algumas administrações municipais adotam o cadastramento de flanelinhas e de limpadores de para-brisa, sem estabelecer com isso um vínculo empregatício com a prefeitura ou quaisquer outras instâncias. Ora, ninguém tem o direito de privatizar espaços públicos. Ninguém é “dono do pedaço”. Flanelinhas e limpadores são seres humanos. Não se trata de rechaçá-los, mas de educá-los ao respeito e à responsabilidade cidadã. Sabe-se que ex-detentos viram-se como podem, por não terem profissão definida nem chances na vida. O que não se pode permitir é a atitude intimidadora, suspeita e, pior, excludente, tratando-os como marginais.

Cabe ao poder público proteger os cidadãos de bem e oferecer novas chances a quem queira progredir na vida ou se reinserir na sociedade. Como fazer isso na prática senão com cursos profissionalizantes? É preciso coibir a ação de informantes e a formação de gangues infanto-juvenis. Geralmente desocupados, sem outras perspectivas na vida, roubam com a finalidade de alimentar o vício da droga ou difundi-la. Acabam se perdendo no submundo da violência.

Para pastorar carro se requer o devido registro na Delegacia Regional do Trabalho, como estabelece a lei federal. A exigência do cadastramento de flanelinhas afasta quem tem antecedentes criminais, combatendo a prática da extorsão e da “informação”. A Promotoria de Justiça deve estudar uma forma para integrar os setores da Polícia, do Trânsito e do Espaço Urbano, tentando uma regularização dessa atividade. Os órgãos municipais devem se entender a respeito, evitando males maiores, além do exercício ilegal desse tipo de atividade. Flanelinhas, se forem cadastrados, não incorrerão na suspeição da criminalidade, seja por conivência ou cumplicidade. Ainda, por respeito aos cidadãos, eles não poderão fazer exigências de cobranças de valores aos motoristas que, não raro, por medo de represálias, submetem-se e “deixam prá lá”.

 

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